domingo, 21 de fevereiro de 2010

Dia de Entrudo - concurso de máscaras

Durante a tarde da terça-feira de Entrudo os mais novos andaram pelo Povo a pedir esmola para fazer uma "quinta-feira". Como a cesta ficou cheia de chouriços juntaram-se todos à noite para os assar e repartir por todos. Mais uma vez a Casa do Povo foi palco de uma jantarada bem comida e bem regada...Mais tarde foi realizado um concurso de máscaras, caretos e matrafonas para delicia dos mais velhos. Desta vez, como de costume, apareceram máscaras bem engraçadas que divertiram toda a gente pelo ridiculo e pela imaginação dos participantes.
O concurso teve um apresentador de grande nível, muito profissional que nos foi cedido por uma das rádios locais de grande audiência (!) e um júri de "se lhe tirar o chapéu", tal a classe e competência.  Depois da primeira votação ficaram três pares empatados sendo necessária a intervenção do público. Por fim, o par vencedor foi o das meninas mais "produzidas da festa"...qual delas a melhor! Duas matronas de fazer inveja a muita gente. Os vencedores ganharam um fim-de-semana no alto de Maquieiros com tudo pago, estadia e refeições. Claro! Antigamente nesta terra o entrudo era uma festa de arromba com desfile dos mascarados pelas ruas da aldeia e enfarinhavam e atraiçoavam todos os que encontravam pelo caminho. Mesmo os mais recatados não se safam pois os mascarados entravam nas casas e ninguém ficava sem farinha, ou cinza!
Agora a rapaziada é mais moderada e atira papelinhos e serpentinas...



sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dia de Entrudo - a tradição da visita às marras

Nas manhãs do dia de Entrudo o sino toca "ao Povo" e as gentes da aldeia juntam-se para, em mais um ano, cumprir a tradição de ir visitar e limpar as "marras" ou alfas que delimitam o território de Gondesende.
Este ano a volta começou na Quinta do Pires e passou por Maquieiros terminando na Ponte de Castrelos. No grupo estavam os mais novos e aqueles que conhecem bem o termo e estão ainda capazes de uma boa caminhada. Os restantes, aqueles a quem as pernas já não ajudam, ficaram na casa do povo a fazer  um cozido com cascas e carne de porco (prato típico do Entrudo) que foi muito apreciado.
O grupo da volta ganhou bem o almoço pois apesar da aldeia ser pequena tem muito terreno baldio e um termo grande. As marras que desta vez foram limpas separam o terreno de Gondesende do das aldeias vizinhas que se encontram a poente e são: Frezulfe, Maças, Soeira e Castrelos. Algumas das "marras" separam também o concelho de Bragança do de Vinhais pois Frezulfe e Soeira já são do concelho de Vinhais.
Apesar de no Inverno a paisagem ser mais monótona e com pouca cor não deixa de ser um espéctaculo para a vista e a nossa aldeia vista de Maquieiros fica soberba. Passamos por matas de carvalhos que há já muito tempo só são visitadas por javalis e corsos devido ao dificil acesso por encostas muito ingremes.
Depois de muito caminhar e quando o cansaço e a fome já apertavam foi um alívio descer a ravina em direcção ao rio Baceiro que agora vai cheio e lindo como sempre. Nas suas margens vimos o moinho do Bonito, o de Castrelos e o do Caniço...chegando, finalmente à Ponte de Castrelos. Passeio bastante cansativo mas para repetir!
No próximo ano temos que ir limpar as marras do lado de Portela, Oleiros e Espinhosela. Vale a pena a caminhada quanto mais não seja pela paisagem...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A esmola dos Santos


No Domingo foi o dia dos "arremates" das esmolas para o São Sebastião e para o Menino Jesus. O São Sebastião é considerado o protector da "cria", as vacas, e das criações, isto é, das ovelhas, dos porcos e de todos os animais domésticos. Depois da missa foi realizada a procissão e a benção dos animais. Antigamente não havia uma única casa na aldeia que não tivesse vacas ou bois para trabalhar a terra. Hoje os tractores invadiram a aldeia e já existem poucas casas que ainda tenham "cria", aqueles que a têm já não a jongem para trabalhar.
A Anabela e a Celeste são as actuais mordomas e, por isso, no dia anterior andaram a pedir a esmola dos santos dando a volta ao povo. Como todas as casa têm já o fumeiro feito todos gostam de dar a prova das chouriças e dos salpicões.
Este ano a colheita foi farta e o David não teve mãos a medir para arrematar tanta coisa. Apareceu de tudo; vários chouriços, pés de porco, ovos, uvas, bolos e chocolates e até um coelho bem pesado. Nos arremates existem sempre autênticas disputas. Todos gostam de "mandar" naquilo que deram pois  querem levar para casa a sua esmola. Outros mandam para puxar pelo preço das chouriças dos outros  só pelo prazer de fazer o vizinho do lado dar uma boa esmola. Depois de muita luta a tia Margarida arrematou e levou para casa dois valentes salpicões, ficaram caros mas tinham um óptimo aspecto! E como se costuma dizer:
            "Quem mais dá mais amigo é do Santo."
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vestigios arqueológicos no termo de Gondesende

“…Gondesende (Gondizindi, Gondezindy e Gondesindi nas inquirições dos anos de 1258). É nome próprio de homem e aparece com as seguintes variações: Gondezendo, Gondezendi, Gondezendizi, Gundezendizi, Gundesendo e Gundesendiz …”

“…O castro de Samil – diz Lopo – fica a cavaleiro da povoação, três quilómetros e meio de Bragança. É do tipo do Lombeiro de Maquieiros, no termo de Gondesende, de traçado circular, com quatrocentos metros de circuito proximadamente, distinguindo-se claramente os vestígios de muralha de pedra solta, assente, de onde a onde, em grandes fragas, cercado de fosso. No espólio encontram-se pedaços de granito lavrado, de telha, de louça grosseira e de pedras polidas, presumivelmente fragmentos de machados, martelos e pisadores….”


“…No termo de Gondesende, concelho de Bragança, dois quilómetros a poente do povo, na margem do rio Baceiro, em o sítio chamado Lombeiro de Maquieiros, próximo e à mão direita do caminho que, da ponte e do moinho de Maquieiros, que lhe fica perto, segue para Soeira, estão gravados num rochedo de xisto os sinais da fig. …” ; “… As insculturas ficam na encosta de um cabeço talhado a prumo na rocha pelo lado sul, dando apenas acesso pelo poente. No planalto da encosta há vestígios de fortificações – muros de pedra solta, fossos – e aparecem pedaços de granito aparelhado, mós manuárias, cerâmica, e o mais como nos castros. No recinto fortificado divisa-se ainda um ponto mais elevado, que corresponderia à torre de menagem. Diz o povo que há mais rochedos insculturados, mas não conseguimos encontrá-los, e provavelmente são as marcações da marra do Cousso, …”

"Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança”; Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal, Tomo X.