O tempo já começou a aquecer, os dias são cada vez maiores, por todo o lado se vêm flores e à tarde já se ouve cantar o cuco à costa e em castromil. Algumas manhãs mais frescas ainda nos trazem a neblina matinal que cobre tudo como uma nuvem de algodão.
O dia da festa já está a menos de um mês e ainda há tanto por fazer. É preciso trabalhar para juntar o dinheiro necessário à organização da festa. A quermesse é uma das principais fontes de receita e ainda que todos os bilhetes tenham prémio são as cestas que todos procuram ganhar quando compram as rifas. Por isso alguns já correram as margens das ribeiras de duçãos para apanhar o vime, a verga e as salgueiras necessárias para fazer as cestas da quermesse. Depois as varas cortadas foram apertadas em feixes e postas de molho no tanque. Alguns feixes foram ainda descascadas para se fazerem as cestas mais claras que servem para levar a merenda ou por o pão na mesa. Quando as cestas são para apanhar batatas, castanhas ou carregar outros produtos da terra não é necessário utilizar vergas descascadas.
Depois das vergas bem demolhadas chega o dia de fazer as cestas. Aqueles que querem colaborar juntam-se na casa do povo para mostrarem o que sabem e ajudar quem queira aprender. Ainda que não seja uma tarefa dificil é necessário ter as mãos fortes e calejadas para que a verga fique bem apertada e a cesta não se deforme. O cú da cesta é a parte mais dificil e nem todas sabem faze-lo bem. O mesmo se pode dizer das asas pois se ficarem mal feitas vão desfazer-se mal a cesta seja posta a uso.
Antigamente as cestas eram mais utilizadas nos trabalhos do campo e era necessário fazê-las mais vezes. Conta-se que em Espinhosela havia mesmo quem soubesse fazer alforjes em verga.

Com as cestas, rendas e bordados vamos montar uma exposição do nosso artesanato que ficará na casa do povo para mostrar a quem nos visitar. Se as vendas correrem bem talvez seja necessário repetir a camarada para continuar a obra pois as cestas fazem falta para a quermesse.
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